Chegou a faculdade às treze horas pensando em várias coisas ao mesmo tempo.
Na sua mente, a principal imagem que surgia era de um show do ACDC, tocando, especificamente It's a Long Way To The Top e, em segundo plano, algo que lhe parecia um dragão enorme lutando contra centenas de pequenos soldados ao mesmo tempo.
'Pra quem eu pergunto primeiro?' se perguntou e logo estava cara a cara com um de seus melhores amigos. O rapaz moreno, de cabelo curto trajava uma camisa simples branca, jeans comuns e sapatos claros. Carregava a bolsa de maneira desajeitada e tinha fones no ouvido.
'Qual o problema cara?' perguntou assim que viu o amigo com a cara perdida em pensamentos.
'Eu queria saber, não lembro de nada sobre ontem a noite, lembras se eu fiz algo? Bebi, paquerei, briguei ou algo assim? Acordei hoje com uma bruta dor-de-cabeça!' respondeu.
'Brigar, tu? Sinceramente? Saísse lá de casa umas duas da tarde, logo depois que a gente zerou Metal Gear Solid 4, depois dissesse que tava morto e ia pra casa, só isso...'
'Ótimo, então aconteceu alguma coisa entre às duas da tarde de ontem e as quatro da manhã de hoje!'
'Beleza, mas vamos entrar que já deu a hora.' e ambos seguiram pra sala de aula.
Não focava de maneira alguma, o professor falava e falava, mas o que entrava por um ouvido saía pelo outro. Ele ignorava a existência até da garota pela qual havia se apegado na sala, pequenina e morena, ela falava com ele a, pelo menos, meia hora e nada dele esboçar reação. Pela primeira vez, ela estava realmente dando bola pra ele, mas ele estava distante demais pra perceber.
'Me ouviu?' ela agora parecia decidida a chamar a atenção dele.
'O quê? Hã? Desculpa, tô off hoje...'
'Percebi... Tá me ignorando!'
'Me perdoa...' e segurou a pequena mão da garota.
'Tá bom...' ela sentiu um frio gostoso na espinha, era a primeira vez que, além de ignorá-la, ela a tocava sem muito pesar.
Ele lançou o olhar para a janela, via apenas dois postes e a entrada do prédio deserta, exceto por um ou dois vendedores ambulantes, o resto, para seu campo de visão, estava coberto por árvores. Cantarolava High Voltage do ACDC, a banda não lhe saia da cabeça desde que saiu de casa.
'Será que eu fiquei a noite toda pulando feito maluco na cama e ouvindo ACDC? De novo? Seria uma boa explicação pra minha amnesia temporária...' e acabou cochilando até o fim daquela aula.
(...)
Passava um pouco das seis horas da noite quando saiu da faculdade.
'Ei cara, amanhã é dia de trabalhar não é?' perguntou o rapaz moreno que havia encontrado no início da tarde.
'É sim, pego às sete e saio as duas, depois venho direto pra cá.'
'Beleza, tava pensando em adiantar o trabalho amanhã a noite, tais a fim?'
'Boa idéia, amanhã já venho preparado pra passar a noite na tua casa então.'
'Ok, ok, então até amanhã!'
'Até!'
E seguiu até a parada de ônibus para pegar o ônibus. Esperou cerca de vinte minutos e chegou em casa em dez, depois disso, não lembra do que aconteceu, apenas acordou debaixo da cama às cinco da manhã...
(Allan Wagner, 21:58 – 22:07, 16/09/2010)
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quinta-feira, 16 de setembro de 2010
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Dia de Cacareco - Parte 2
Quinze minutos.
Foi o que aguentou correr, parou cansado e encostou-se na primeira árvore da pracinha. Queria e precisava de sombra, mesmo que o Sol estivesse extremamente fraco, queira sombra.
Suava bicas e não aguentava nem mais um passo.
'Preciso começar caminhando, depois volto a correr', pensava, antigamente corria por horas sem cansar, mas também estava sempre acompanhado, agora via que aquela tradição além de tudo, agora era solitária. Sentiu falta do mp3 pra animá-lo enquanto corria, a música sempre o fizera bem.
Levantou-se rápido e decidiu voltar pra casa, sentia que se corresse mais um minuto cairia morto de cansaço. Atravessou a rua, andou mais quinze metros e entrou no prédio onde morava. Quando abriu a porta esperou que seu Bulldog pulasse no seu pescoço, mas o cachorro era ainda mais preguiçoso que o dono e continuava dormindo debaixo da mesa da sala.
'Cachorro preguiçoso', pensou olhando pro cão. Abaixou-se, sentou do lado da mesa e começou a fazer carinho nele que, automaticamente, acordou e mexeu a cabeça, olhando para o dono com a cara de 'que você quer de mim?'. Levantou-se e foi direto pro banheiro, lavou as mãos e sentiu-as arderem. Malditos cortes, quanto menores, maior a dor...
Foi até a cozinha e preparou uma vitamina, algumas frutas e pão de queijo, enquanto comia seu companheiro canino adentrou a cozinha e se espreguiçou preguiçosamente, depois foi até a vasilha de água, que pela manhã sempre estava cheia de leite e, ao lado, a vasilha de comida cheia de bolachas de água e sal, pedaços de frutas e alguns pedaços de pão com manteiga. Cortou um pedaço e queijo e pos na vasilha do cão. 'Você está bem hoje?', o Bulldog olhou pro dono com a cara desconfiada e comeu o queijo sem latir.
Então tomou um gole da vitamina, estava querendo relembrar da noite anterior... Não lembrava de nada, seu quarto não mostrava sinais de briga, sexo ou Rock'n Roll. Então qual o motivo da dor-de-cabeça pela manhã? E dos cortes na mão? No momento não ligava muito, foi ao banheiro lavou as mãos, escovou os dentes e tomou outro banho. Dali seguiu novamente até a cozinha, pegou a vassoura e varreu todo o apartamento, depois lavou alguns poucos pratos e sentou-se no pequeno sofá da sala, pegou alguns livros e começou a estudar.
Meia hora depois estava impaciente, ligou o televisor e começou a assistir desenhos animados, esperou até às onze da manhã, preparou uma macarronada e pos a ração pra seu companheiro de quatro patas, onze e meia almoçou, tomou outro banho, se arrumou e ao meio-dia em ponto seguiu pra faculdade pensando 'o que havia acontecido?', decidiu perguntar aos amigos, pra saber se eles sabiam de algo.
Seu pequeno amigo Bulldog ignorou sua saída e voltou a dormir na pequena cama debaixo da mesa da sala.
(Allan Wagner, 05:58 - 06:22, 13/09/2010)
Foi o que aguentou correr, parou cansado e encostou-se na primeira árvore da pracinha. Queria e precisava de sombra, mesmo que o Sol estivesse extremamente fraco, queira sombra.
Suava bicas e não aguentava nem mais um passo.
'Preciso começar caminhando, depois volto a correr', pensava, antigamente corria por horas sem cansar, mas também estava sempre acompanhado, agora via que aquela tradição além de tudo, agora era solitária. Sentiu falta do mp3 pra animá-lo enquanto corria, a música sempre o fizera bem.
Levantou-se rápido e decidiu voltar pra casa, sentia que se corresse mais um minuto cairia morto de cansaço. Atravessou a rua, andou mais quinze metros e entrou no prédio onde morava. Quando abriu a porta esperou que seu Bulldog pulasse no seu pescoço, mas o cachorro era ainda mais preguiçoso que o dono e continuava dormindo debaixo da mesa da sala.
'Cachorro preguiçoso', pensou olhando pro cão. Abaixou-se, sentou do lado da mesa e começou a fazer carinho nele que, automaticamente, acordou e mexeu a cabeça, olhando para o dono com a cara de 'que você quer de mim?'. Levantou-se e foi direto pro banheiro, lavou as mãos e sentiu-as arderem. Malditos cortes, quanto menores, maior a dor...
Foi até a cozinha e preparou uma vitamina, algumas frutas e pão de queijo, enquanto comia seu companheiro canino adentrou a cozinha e se espreguiçou preguiçosamente, depois foi até a vasilha de água, que pela manhã sempre estava cheia de leite e, ao lado, a vasilha de comida cheia de bolachas de água e sal, pedaços de frutas e alguns pedaços de pão com manteiga. Cortou um pedaço e queijo e pos na vasilha do cão. 'Você está bem hoje?', o Bulldog olhou pro dono com a cara desconfiada e comeu o queijo sem latir.
Então tomou um gole da vitamina, estava querendo relembrar da noite anterior... Não lembrava de nada, seu quarto não mostrava sinais de briga, sexo ou Rock'n Roll. Então qual o motivo da dor-de-cabeça pela manhã? E dos cortes na mão? No momento não ligava muito, foi ao banheiro lavou as mãos, escovou os dentes e tomou outro banho. Dali seguiu novamente até a cozinha, pegou a vassoura e varreu todo o apartamento, depois lavou alguns poucos pratos e sentou-se no pequeno sofá da sala, pegou alguns livros e começou a estudar.Meia hora depois estava impaciente, ligou o televisor e começou a assistir desenhos animados, esperou até às onze da manhã, preparou uma macarronada e pos a ração pra seu companheiro de quatro patas, onze e meia almoçou, tomou outro banho, se arrumou e ao meio-dia em ponto seguiu pra faculdade pensando 'o que havia acontecido?', decidiu perguntar aos amigos, pra saber se eles sabiam de algo.
Seu pequeno amigo Bulldog ignorou sua saída e voltou a dormir na pequena cama debaixo da mesa da sala.
(Allan Wagner, 05:58 - 06:22, 13/09/2010)
domingo, 22 de agosto de 2010
Dia de Cacareco - Parte 1
A preguiça é o pecado e a constante mais comum no ser humano.
E com ele não seria diferente. Não gosta de acordar cedo, muito menos de ser obrigado a acordar cedo por causa de trabalho, faculdade ou qualquer outra coisa. Exceto sexo. Por Sexo ele acorda no meio da madrugada, não importa a hora.
O relógio começou a pinar por volta das quatro e meia da manhã, mas ele não lembrava o motivo de deixar o alarme ligado. O que o deixava ainda mais puto da vida do que acordar cedo, era não saber o motivo de ter acordado cedo. Deu um tapão no despertador e levantou rápido, tão rápido que sentiu alguma coisa estalar, só não sabia qual articulação.
Magro e baixo, levantou-se com os cabelos negros arrepiados e uma cara de poucos amigos. Olhou pra despertador e o chutou pra baixo da cama.
Pensou 'A porcaria do Sol nem levantou ainda e eu já'.
Foi até o banheiro, ligou o chuveiro no mais gelado que conseguiu pra tentar acordar de vez. Disse alguns palavrões bem alto, fechou a cara e sentiu uma dor-de-barriga que o prendeu no banheiro por mais quinze minutos depois do banho.
Parou em frente ao espelho com a cara fechada e naquele momento não conseguiu pensar em nada, na verdade, não lembrava de nada na noite anterior, e percebeu que também não estava muito interessado em saber. A noite anterior tinha deixado uma bruta dor-de-cabeça de brinde pra ele.
Percebeu que não era uma dor de ressaca, nem uma dor-de-cabeça comum, era diferente. Teria pego outra garota de programa? Merda, jurou nunca mais fazer isso. mas não era, sentiu as mãos arderem quando lavou-as. Estavam cortadas, eram cortes superficiais mas incômodos. Começou a imaginar que teria brigado com alguém... Teria vencido uma feroz batalha com um filhinho de papai drogado ou teria caído na sarjeta embreagado junto a um cachorro? Não importava.
'Prometi a mim mesmo caminhar hoje!', veio num estalo inesperado, tinha se prometido voltar a ser saudável pelo menos uma hora por dia...
Adiantou-se pro quarto, pôs um tênis velho, um short surrado e uma camisa maior que ele. Olhou pela janela e imaginou o que estaria esquecendo.
Alongou alguns poucos músculos e saiu pro meio da rua...
(Allan Wagner, 02:01 - 02:15, 22/08/2010)
E com ele não seria diferente. Não gosta de acordar cedo, muito menos de ser obrigado a acordar cedo por causa de trabalho, faculdade ou qualquer outra coisa. Exceto sexo. Por Sexo ele acorda no meio da madrugada, não importa a hora.
O relógio começou a pinar por volta das quatro e meia da manhã, mas ele não lembrava o motivo de deixar o alarme ligado. O que o deixava ainda mais puto da vida do que acordar cedo, era não saber o motivo de ter acordado cedo. Deu um tapão no despertador e levantou rápido, tão rápido que sentiu alguma coisa estalar, só não sabia qual articulação.
Magro e baixo, levantou-se com os cabelos negros arrepiados e uma cara de poucos amigos. Olhou pra despertador e o chutou pra baixo da cama.
Pensou 'A porcaria do Sol nem levantou ainda e eu já'.
Foi até o banheiro, ligou o chuveiro no mais gelado que conseguiu pra tentar acordar de vez. Disse alguns palavrões bem alto, fechou a cara e sentiu uma dor-de-barriga que o prendeu no banheiro por mais quinze minutos depois do banho.
Parou em frente ao espelho com a cara fechada e naquele momento não conseguiu pensar em nada, na verdade, não lembrava de nada na noite anterior, e percebeu que também não estava muito interessado em saber. A noite anterior tinha deixado uma bruta dor-de-cabeça de brinde pra ele.
Percebeu que não era uma dor de ressaca, nem uma dor-de-cabeça comum, era diferente. Teria pego outra garota de programa? Merda, jurou nunca mais fazer isso. mas não era, sentiu as mãos arderem quando lavou-as. Estavam cortadas, eram cortes superficiais mas incômodos. Começou a imaginar que teria brigado com alguém... Teria vencido uma feroz batalha com um filhinho de papai drogado ou teria caído na sarjeta embreagado junto a um cachorro? Não importava.
'Prometi a mim mesmo caminhar hoje!', veio num estalo inesperado, tinha se prometido voltar a ser saudável pelo menos uma hora por dia...
Adiantou-se pro quarto, pôs um tênis velho, um short surrado e uma camisa maior que ele. Olhou pela janela e imaginou o que estaria esquecendo.
Alongou alguns poucos músculos e saiu pro meio da rua...
(Allan Wagner, 02:01 - 02:15, 22/08/2010)
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